21 de fevereiro de 2018

VIVER É FÁCIL - DIFÍCIL É CONVIVER!




               - Tais Luso

Hoje trago um assunto cabeludo: a convivência entre os humanos.
Uma boa parte do planeta é composta de gente saudável, amorosa, serena e generosa. Outra parte é conturbada, dominadora e destrutiva. E essa última faz o barulho sozinha; monta o barraco e bota fogo na paz dos outros. Àqueles que gostariam de viver tranquilos, como água de poço, não terão essa sensação tão cedo. Nosso mundo não está preparado para ser um paraíso. E nem nós – os anjos.
Mesmo pisando em ovos, viver é maravilhoso. Gostaria de viver eternamente, adormecer ao embalo de suaves acordes, leve e solta, quem sabe como um pássaro.
Em todas as épocas a humanidade foi um fracasso em relação ao convívio com sua própria espécie. Conseguimos voar como os pássaros, conseguimos invadir os mares mais revoltos, conseguimos ir à Lua, namorar Marte e ficar girando meses no espaço. Porém, não conseguimos conviver com vizinhos e familiares sem muitos contratempos. A intolerância é muito forte, o vizinho tosse e se engasga  no elevador e a vontade vem rápido, a cavalo:
tossir na tua casa, infeliz!
A vontade dos intolerantes é parar o elevador e descartar a criatura. Não funciona o tal pensamento de que somos todos irmãos, filhos do mesmo pai, fraternos e solidários. Bonito é, mas funciona na evangelização religiosa. Dá uma sensação de alívio, de plenitude e espiritualidade. Meu louvado irmãozinho...! Caim e Abel eram irmãos, e deu no que deu.
Estamos acabando com nossos sonhos. Os revoltados sem causa nascem em qualquer meio. Famílias se matam, alunos agridem seus professores, outros explodem com seus colegas - como temos visto nos Estados Unidos. Uma sociabilidade muito amorosa. Por isso que digo, tranquilidade como água de poço não é conosco. Queremos acreditar na boa fé das pessoas, mas se no meio do caminho houver uma pedra... Valha-me Deus!
A história do mundo é de guerra, de intolerância, de subjugação, de tortura. Jamais imaginei ver legados arquitetônicos, de civilizações milenares, reduzidos a escombros como o acontecido em 2013 - na Síria. Toda a arte virou nada. Não dá para esquecer criancinhas morrendo ao tentarem fugir das guerras.
Mas somos assim desde sempre, bonitos e carismáticos, um embrulho com laços e fitas muitas vezes escondendo a nossa maldade e nossa doença.
E assim caminharemos até o fim dos tempos, ora nos abraçando, ora nos matando.
Quem sabe a poesia e a música ainda continuem nos tocando com emoção. será um contraponto.



Vejam que música, que poesia!         



14 de fevereiro de 2018

O RESGATE DE UM PAÍS

O sonho do povo brasileiro  é do tamanho de sua natureza...
         
          - Tais Luso 
Somos um povo que vai levando a vida com um sorriso meia-boca, mesmo sabendo do tamanho do lixo que temos para limpar. É luta. Mas é preciso acreditar que um dia o Brasil voltará a sorrir.
Temos uma população de 215 milhões, e uma parcela desses brasileiros adora feriadões. Isso faz parte da cultura nacional. O ano no Brasil só começa depois do Carnaval, o que não é admissível, pois temos um elevado número de pessoas pobres e outras tantas (em grande número) abaixo da linha da pobreza. Mas formou-se esse ‘agrado’, que nem a todos beneficia.
Sempre se soube das inúmeras contravenções, mas jamais desse mega esquema de corrupção, o maior da história do Brasil. Quem sabe  o maior esquema de corrupção do mundo. Ficar assim na História não é das melhores coisas, bota desgraça nisso. Nada mais degradante para uma nação do que buscar investimentos internacionais e levar na testa um neon lusco-fusco: 
-  Hei, venha investir,  somos um dos países mais corruptos do mundo!

Um dos piores sentimentos é o medo. Atualmente somos, mais do que nunca, um povo preocupado com o futuro. Dúvidas? Sim, imensas!
Novas eleições estão a caminho, mas com as velhas raposas se articulando sorrateiramente por detrás dos panos. Serão as mesmas raposas a cuidar do velho galinheiro? Muito preocupante. É a certeza da continuidade. Dos conchavos perniciosos. Vê-se em toda a mídia, escrita e falada, uma rebelião contra esse desmonte imoral das nossas Instituições e das nossas riquezas. Não estamos esperando pelo amanhã, a tentativa é de parar de navegar nos escombros. Sem isso, nada. O resto será consequência.
E longe de sermos um otimista tolo ou um pessimista chato, é de bom tom sermos um realista esperançoso lembrando de Ariano Suassuna.

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1 de fevereiro de 2018

TUDO MUITO LOUCO

Surrealismo


         - Tais Luso

Dando um tempo para divagações, parei pra pensar na correria do nosso cotidiano. Também pensei no fôlego que eu tinha, quando criança, ao subir  uma escada grande de minha casa, de dois em dois degraus. Naquela época eu já tinha consciência de finitude. E vendia saúde. Hoje não vendo mais nada, to comprando. A  vida tornou-se muito louca e o gás diminuiu, né gente?
Muitas vezes andamos estafados sem saber a razão. Um tal de faz assim, faz assado, não come isso, não vai lá, volta aqui, busca, leva, troca... olha a hora, criatura!
Leva o filho, busca a filha. Corre ao velório do tio para o derradeiro adeus, a última olhada no tiozão  de sapato marrom...
Um mundo  com regras e cheio de novidades a cada amanhecer. Sufocante!
O mundo contemporâneo virou uma obra-prima do surrealismo, impossível interpretar o ser humano e suas façanhas. Como essa gente briga, que feras! Como meu sonho de consumo não é viajar e nem comprar a Petrobras, me dou ao luxo de pensar. Se Descartes mandou pensar, penso: Penso, logo existo.
O bombardeio começa no que você não pode comer! Não coma massas, churrasco, carboidratos, doces, pizzas, sorvetes, sonhos, pastéis, bolos, chocolate, embutidos... e morra de tristeza!! Coma fibras e frutas! Coma muita salada! Cuidado; não morrerá do coração, mas poderá morrer com a bactéria salmonela e agrotóxico.
Deite cedo, levante cedo; fique pouco no computador,  faça exercícios, leia e mantenha-se informada. Cuide da casa, não deixe abagunçar porque a família é a primeira a lhe chamar de porca. Ufff... Tudo pode acontecer.
Reunir a família nos  domingos é fundamental, é carinho! Vá para cozinha, se esborrache num estrogonofe, num Bacalhau à Gomes de Sá, isso é um ato de amor, percebe? 
Aproveite o clima generoso de felicidade diária e ame a todos como se todos fossem você e diga que perdoa seus algozes! Seja demagogo, é tão lindo!
E no meio de todo esse rebu, deve sobrar tempo para a derradeira pergunta: quem sou? O que vim fazer? Para onde vou? Tudo muito louco.
É por tudo isso que precisamos de leveza e humor na vida.


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Nota:
Nesta crônica abordo um tema baseado na observação dos fatos do 'nosso cotidiano, da nossa sociedade' -  não é nada particular. As crônicas não são, necessariamente, baseadas na vida do cronista. 
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26 de janeiro de 2018

GENTE DE MÁ FÉ

obra de Guan Weixing 1940 (China)


        - Tais Luso

Há tempos, neste blog, contei a vocês sobre um velhinho que nos parou bruscamente na rua do nosso bairro para declamar, em alto tom, Casimiro de Abreu - Meus Oito Anos, lembram? Achei muito interessante, até gostei da criatura. Mas foi algo meio louco, não há dúvidas, ninguém de mente sã faz isso numa calçada, mesmo adorando Casimiro de Abreu – poeta do Romantismo.
Achei que aquela explosão era própria da sua idade ou temperamento. Qualquer coisa assim.
Pois bem, após alguns meses o velhinho nos parou novamente na rua (a mim e Pedro) para nos contar de um assalto que sofrera nas imediações de onde estávamos - no nosso bairro. 
Dois marginais o derrubaram no chão e baixaram a lenha no coitado do velhinho para roubar-lhe o celular. Contou que foi à emergência do Hospital fazer o curativo, o qual nos mostrou. Confesso que ficamos de coração partido, já estamos todos neuróticos com tanta violência, mas por outro lado achamos esquisita aquela coisa toda, quase um circo. Ele era bem espalhafatoso. E foi embora chorando, resmungando, protestando. Fez um auê danado!  Por pouco não levamos o velhinho para casa para tratar as dores de sua alma. Passou tempo e esqueci do caso.
Ontem, estávamos esperando para atravessar a rua, íamos almoçar, e lá veio o velhinho, depois de algum tempo ausente, meio desabrochado e nos olhando, veio com uma história de que iria embora para Israel, que o Brasil não tem jeito e que tinha sido assaltado há minutos numa rua pertinho. Vimos logo que  a  conversa era a mesma, o mesmo choro, a mesma rua, o mesmo celular!!  Mais outra encenação? Mas desta vez ele estava esperando alguma coisa!! E saímos sem dar importância, pois percebemos, de cara, que havia má fé no meio da história. Nos encarou, mas não o deixamos prosseguir na intenção. Atravessamos a rua.
Infeliz, filho da mãe! Fui pega por um louco esperto; me senti tão burra... tão decepcionada por ter entregue nas primeiras vezes o meu sentimento de solidariedade, de pena e de indignação.
Isso travará meus sentimentos num outro episódio e com outra pessoa qualquer. Se for verdade ou não, minha postura vem ao natural: Não! 
O endurecimento virá sem que eu queira saber a razão. Até que eu me refaça...
Até que eu volte a acreditar.


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18 de janeiro de 2018

O RIGOR DAS LEIS - CÓDIGO DE HAMURABI

Código de Hamurabi 1772 a.C

         

             - Tais Luso

Hamurabi (1792/1750 a.C), guerreiro, estadista e legislador elevou Babilônia à principal potência da Mesopotâmia. Seu Código de Leis criado em 1772 a.C –, contém 282 decretos e uma imagem altamente sugestiva de um governo justo, dizia-se. Não para uma vingança, mas a pena proporcional à ofensa cometida pelo criminoso: o olho por olho, dente por dente – princípio de Talião, que é o mais antigo conjunto de leis escritas na história da humanidade - e que chegou a nós de forma completa. Esse conjunto de leis se preocupava com os órfãos e as viúvas. Este código foi encontrado em 1902 na cidade de Susa, Irã, por arqueólogos franceses.
Está escrito em sistema cuneiforme, isso é, em forma de cunha, uma escrita inventada pelos sumérios. O material em que estão registradas as leis desse código é de basalto azul. A peça tem 2,25 m de altura, 1.50 m de circunferência na parte superior e 1,90 na base e expõe castigos violentos como mutilação, flagelação e execução por empaleamento, afogamento ou cremação. Os primeiros indícios da chamada pena de Talião sabe-se que vieram de civilizações remotas, mas conhecida no Código de Hamurabi, no reino da Babilônia.
Esse Código foi influenciado pelo Direito dos Sumérios – código de Dungi, por volta de 2300 a.C. Porém foi o Imperador Hamurabi quem revisou e sistematizou uma série de leis aplicadas durante seu Império e que se estendeu a vários povos além dos babilônios: assírios, caldeus e hebreus.
Outros códigos haviam surgido entre os sumérios que viveram 4000 a.C. Mas como viviam em diferentes comunidades autônomas muitas leis se perderam um pouco, só chegando  a nós, mais completo, através do Código de Hamurabi.
Aqui estão algumas penas aplicadas na época, a força das punições:
- Se um homem acusou o outro, e não provou sua culpa, é passível de morte.
- Se um médico fracassar, tem sua mão direita cortada.
- Se alguém for roubado e demonstrar isso, a cidade indenizará na quantia exata.
- Se um arquiteto construir uma casa e não a fizer bastante sólida, se a casa cair, matando o dono, esse arquiteto também será morto.
- Se for o filho da dona da casa que morrer, o filho do arquiteto também será morto.
- Se um homem roubar um boi de outro, ele terá que restituir um outro boi ao prejudicado.
- Se um homem bater em seu pai, terá suas mãos cortadas.
- Se um homem furar o olho de um homem livre, terá seu olho furado, também.
- Se um homem roubar uma casa, será morto no lugar onde praticou o roubo.

Museu do Louvre - o Código




13 de janeiro de 2018

A BELEZA É RELATIVA

Curiosidades sobre o espartilho


           - Tais Luso 
Já está visto que o ser humano não mede suas vaidades e as consequências com sua saúde são gritantes. Mergulha sem pensar nas maluquices do momento, nos apelos da moda. O poder que a sociedade, o comércio e a indústria exercem, principalmente sobre as mulheres, é enorme.
Vejam, por exemplo, a extravagância do espartilho que, desde aquela remota época do séc 16 na Inglaterra, já dava pano pra manga. Uma peça que inventaram para valorizar as formas e dar mais sustentação ao corpo feminino. Era uma peça desconfortável, estruturada por barbatanas metálicas, longas e fortes amarrações nas costas. Torturante.
Em certas festas haviam salas de descanso, próprias para as mulheres soltarem as amarras do espartilho e respirarem por algum tempo, recomporem-se da tortura que se submetiam,  de livre vontade; porém, não tão livre assim, pois eram escravas da moda. Grande parte ainda é.
Lendo a História da Moda, chegamos à conclusão que coisas muito estranhas sempre acompanharão os humanos.  A História e os absurdos andam juntos. O uso do espartilho vingou por séculos, mas com muito sacrifício. 
Havia compressão na caixa torácica, problemas de respiração, fratura de costelas, deformação dos órgãos do abdômen, problemas circulatórios, inchaço nas pernas e desmaios, além de causar problemas na coluna, pois atrofiava os músculos da sustentação. Mas parece que a mulher pouco pensava em conforto e saúde.
em 1901 o espartilho caiu em desuso, com a invenção do sutiã. Mas muito antes disso, no séc 9, os famosos Pés de Lótus, das mulheres chinesas, já comandavam o espetáculo dos absurdos. Elas cresciam, mas os pés, não. Quanto menores seus pés, mais desejadas eram pelos seus pretendentes. (Ver aqui).
Bem, mas os espartilhos voltaram há alguns anos, mais leves e com um novo nome: Corsetet! Ganharam novo visual, mas as consequências que deixam para a saúde são semelhantes ao do espartilho se usadas com muito rigor e por muitas horas.
Os sapatos, antes mais delicados, hoje assumiram outra versão. Mesmo em calçadas irregulares, em pleno dia, a gente topa com sapatos duma altura inimaginável! O que pensar disso? A mulher perde a beleza do caminhar, pisa sobre ovos ou  sobre brasas! O andar mais horroroso de todos os tempos. E o conforto fica a desejar. Enfim, o mundo da moda é uma festa!  Ou não?
Clique nas fotos - aumentar
Quanto sacrifício!
Cathie Jung 70 anos (usava espartilho 23 hs/dia) é considerada a menor cintura 
do mundo - 38 cm. Guinness New Record.

Espartilho de ferro séc 16

    Espartilho 1880                       Corsetet contemporâneo


Sim,  elas caminhavam com isso!
Anquinha - 1870 - usado para aumentar 'atrás'. A moda compreendia
armações, amarrações, anáguas, saias, corpetes e  espartilhos.

'confortáveis' sapatinhos da moda 2018...

                                                


Beleza? Mas há quem goste desse 'conforto' para descansar.

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